Endometriose e Nutrição

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Endometriose e Nutrição

Mensagem por ac78 em Ter Abr 05, 2011 8:51 pm

Endometriose e Nutrição
Prof.Dr.Dirceu Henrique Mendes Pereira

Diretor da Profert

A dieta alimentar tem sido descrita como um importante fator desencadeante de várias doenças e alguns trabalhos recentes com animais (usando óleo de peixe) sugerem esta relação com a endometriose.

A endometriose é caracterizada pela presença de tecido endometrial em locais fora do útero como ovários, trompas de Fallopio, ligamentos uterinos, bexiga e intestino grosso. A endometriose, no seu início, afeta as mulheres às vezes de forma silenciosa e sorrateira. Com a evolução do quadro a sintomatologia de dor pélvica crônica torna-se evidente.

A dor é uma sensação muitas vezes difícil de descrever. É um importante sinal de alarme, a nos indicar que o nosso corpo está sofrendo alguma agressão. Quando prolongada, mesmo sendo de intensidade mínima, pode ser debilitante e exigir investigação para detectar alguma afecção. Com freqüência coexiste com o estresse que a faz tornar-se mais relevante.

A mulher com endometriose apresenta uma grande gama de sintomas. Os mais comuns são:

1. Dor antes e durante o período de sangramento menstrual (dismenorréia)

2. Dor à ovulação

3. Dor durante ou após o ato sexual

4. Infertilidade

5. Sangramento menstrual intenso ou irregular

Outros sintomas apresentados incluem fadiga, depressão, dor na coluna lombo sacra durante o sangramento menstrual, diarréia ou constipação. Algumas mulheres com disfunção menstrual visível não apresentam dores, enquanto outras com pequeno acometimento apresentam dores que a incapacitam de realizar certas tarefas.

O padrão da alimentação tem mudado muito ultimamente para um consumo mais popular baseado no trigo. O consumo de frutas frescas e vegetais tem diminuído desde 1995. Com o açúcar e farinha de trigo refinados, usados na maioria dos alimentos produzidos pela indústria, somente uma fração das vitaminas e minerais encontrados na alimentação natural, têm sido ingerida pela população.

Seguiremos indicando as vitaminas necessárias ao organismo, suas indicações e os sinais de alerta quando ocorre a carências destas.

Tiamina (Vit.B1)

É muito útil para o sistema nervoso, para carências metabólicas ligadas ao alcoolismo, anemias e agilidade mental. Quando em deficiência, aparecem sintomas como fadiga, fraqueza muscular, falta de apetite, irritabilidade, depressão, dificuldade de memorização, formigamento das extremidades dos membros, náusea, digestão difícil.

A dose recomendada para uso diário é de 10-100mg. Em carências devido a alto consumo de café, cigarro ou álcool e ao estresse, a dosagem diária deverá ser aumentada para 100 a 300 mg. O arroz integral é fonte rica em B1.

Riboflavina (Vit.B2)

A deficiência de riboflavina pode causar desequilíbrio hormonal e é essencial para a metabolização de hormônios esteróides (estradiol e progesterona) pelo fígado. Causa também pele e mucosas rachadas, eczemas de pele e região genital, fadiga.

A vitamina B2 auxilia a metabolizar gorduras, proteínas e carboidratos, melhora o desempenho físico, reprodutivo e visão, e tem alto poder anti-oxidante. Sua deficiência pode causar rachaduras na pele e mucosas, fadiga, eczemas.

Deve ser consumido em dosagens de 10 a 300 mg/dia de acordo com a carência, nível de estresse, consumo de álcool, café ou fumo. É encontrado em leite, fígado, queijo (principalmente os duros) e vegetais de folhas verdes.

Niacina (Vit.B3)

É muito importante para a síntese de hormônios sexuais, para prevenção de problemas do sistema nervoso, melhora a digestão, qualidade da pele, diminui colesterol, prevene doenças cardíacas, desintoxica o organismo de toxinas, poluentes e drogas

A deficiência desta vitamina se apresenta com quadros de dermatites, diarréia e desequilíbrio emocional.

A dosagem diária indicada é de 20 a100 mg, mas é necessário tomar cuidado, pois altas doses de B3, podem causar: depressão, problemas hepáticos, dores de cabeça. Pode ser encontrada em alimentos como: fígado, carnes magras, abacate, peixes, ovos, cereais integrais e amendoim.

Piridoxina (Vit.B6)

A deficiência da piridoxina resulta em depressão, artrose, alteração da função muscular, irritabilidade, nervosismo, alterações da personalidade, fraqueza, insônia, edema e alivia os sintomas da TPM e da menstruação, ajuda a controlar o diabetes, melhora a assimilação de gorduras e proteínas, atua como diurético natural. Deficiência de B6 também leva a uma deficiência de B3. Alguns desses sintomas são percebidos por mulheres com endometriose. Uma depressão da imunidade humoral e da imunidade celular também é causada pela deficiência desta vitamina. Isto pode levar a baixa resposta de anticorpos, causando vulnerabilidade a doenças. A vit.B6 estimula a produção de dopamina, um importante hormônio cerebral que condiciona efeito calmante no sistema nervoso. Mulheres com endometriose têm consciência que podem apresentar depressão e ansiedade e parece que a vit.B6 as ajuda melhorando esses sintomas.

Deve ser tomada em quantidades iguais a B1 e B2. Não deve ser ingerida em doses maiores que 200 mg ao dia, pois causa danos ao sistema nervoso. A dose recomendada é inferior a 50 mg/dia. É encontrada em alimentos como melão, repolho, melado, ovos, fígado, levedo de cerveja.

Vitamina B12 (cobalamina)

A vit.B12, quando combinada com a Vit.B1 e B6, produz um poderoso efeito anti-inflamatório e analgésico, atua também na utilização de gorduras, carboidratos e proteínas. É a única que contém sais minerais essenciais. Sua carência causa danos ao cérebro e distúrbios neurológicos, anemia perniciosa, problemas menstruais, tremores.

A dose adequada é de 5 – 50 mcg ao dia. Tem como fonte natural, fígado, carne vermelha, carne de porco, ovos, queijo e leite.

Vitamina C

Estudos têm demonstrado que a vitamina C associada a bioflavonóides e um preparado de enzimas proteolíticas, é muito efetiva em reduzir inflamações. A combinação de vitamina C com bioflavonóides desempenham um papel no mecanismo imune o qual ainda não está completamente entendido.

Quando a vitamina C é administrada acima de 10mg por dia para pacientes com câncer avançado, observa-se uma significante diminuição dos níveis de dor. Um alívio da dor óssea em pacientes com doença de Paget é alcançado com 3 mg de vitamina C por dia. O mecanismo envolvido na diminuição da dor não está totalmente desvendado. Uma relação entre vitamina E e vitamina C sugere que a vitamina E também está relacionada com a diminuição da dor e da inflamação. As vitaminas C e E aparecem para estabilizar estruturas essenciais da cartilagem e, com isso, inibem inflamação. A vitamina C tem propriedade anti-histamínicas naturais. Altas doses de ácido ascórbico têm a capacidade de acabar com o excesso de histaminas produzidas ou liberadas em condições de estresse. Aspirina pode ser ingerida com maior tranqüilidade quando acompanhada de altas doses de vitamina C.

Outras indicações da vitamina C é como anti-oxidante, melhora a cicatrização, mantém a saúde dos ossos, dentes e órgãos sexuais, age como anti-histamínico, ajuda na infertilidade masculina, reduz a duração de resfriados e outras viroses.

Sinais de deficiência: fraqueza, irritabilidade, sangramento gengival, perda de dentes, dores nas juntas, escorbuto.
Dosagem diária indicada é de 60 mg, alguns casos carenciais, como fumantes e após utilização de antibióticos, será necessário utilização de maiores doses a ser indicada pelo médico. Existe toxicidade em altas doses, gerando pedras nos rins e gota, diarréia e cãibras.

Magnésio

Algumas enzimas dependem da energia trazida pelo magnésio para exercer o seu trabalho. O magnésio fornece esta energia pela ativação da produção de ATP que extrai energia dos alimentos ingeridos. Ocorre desde 1900 um declínio na ingestão de magnésio devido a um aumento do consumo de alimentos industrializados. A necessidade fisiológica de magnésio também aumentou como conseqüência do maior consumo de álcool, ácido fosfórico em refrigerantes, vitamina D e contraceptivos esteróides. A deficiência do magnésio deprime os níveis de tiamina nos tecidos causando conseqüente depressão da energia intracelular. A deficiência de magnésio também é mutagênica. As causas desta deficiência são:

1. Diminuição da ingestão diária

2. Redução da absorção

3. Redução da utilização

4. Aumento de perdas

Os sintomas causados por esta deficiência incluem insônia, nervosismo, taquicardia, cãibras e cólica menstrual. A fadiga é desgastante para o sistema imune, freqüentemente criando um estresse secundário. Mulheres com endometriose também reclamam de insônia, cãibras e cólicas menstruais. Acredita-se que pessoas com fadiga crônica respondem bem a suplementação de magnésio associada ao potássio.

O sistema imune fragilizado e enfraquecido pode contribuir para o desenvolvimento e progresso da endometriose. A deficiência de magnésio e outros nutrientes, podem afetar o comportamento imunológico de pacientes com endometriose. A supressão da resposta imune aumenta os riscos ou piora os sintomas alérgicos, que freqüentemente acometem pacientes com endometriose.

O magnésio está implicado no processo de replicação do ácido desoxiribonucleico (DNA), prevenindo mudanças na membrana celular, cuja instabilidade pode condicionar o aparecimento do câncer .

A escassez de magnésio no sistema neuro-muscular para balancear o cálcio, acarreta contração provocando cãibras, irritabilidade ou tremores, fraqueza, cansaço, inconstância, hiperatividade em crianças. A escassez é comum em idosos, bebedores contumazes, mulheres grávidas e pessoas que se exercitam intensamente.

O magnésio tem relação sinérgica com adenosina trifosfato (ATP), substância que produz energia nas células. O déficit do mineral pode condicionar espasmos e convulsões. Um adulto necessita 450 – 650 mg/dia para se manter saudável; obtendo-o basicamente das hortaliças e sementes, soja, arroz integral, levedo de cerveja, farinha de trigo integral e legumes. Apresenta efeito analgésico no sistema nervoso central e desempenha papel vital na síntese de mielina na bainha dos nervos. A presença de magnésio é essencial para inúmeros processos metabólicos incluindo a distribuição de sódio, cálcio e potássio através das membranas celulares. A ingestão adequada do mineral ainda é importante para prevenir dismenorréia ou abortamentos.

O magnésio é tóxico para pessoas com problemas renais ou bloqueio atrioventricular.

Selênio

Existem evidências de que o selênio apresenta atividade anti-inflamatória e pode aumentar a resposta imunológica . Selênio, vit.A,C,e E, têm sido usados empiricamente como tratamento coadjuvante em doença reumática e endometriose. Pessoas com conhecida sensibilidade ao lêvedo devem usar uma forma inorgânica de selênio.

É um excelente antioxidante, dá proteção contra alguns tipos de câncer e outras doenças, mantém a boa visão, pele e cabelos saudáveis, previne doenças cardíacas e circulatórias, efeito desintoxicante quanto a álcool, drogas, fumaça e algumas gorduras, aumenta a potência masculina e interesse pelo sexo. Fontes naturais de selênio são: germe de trigo, fibras vegetais, atum, tomate, brócolos, rins e pão de trigo integral.

Doses diárias recomendadas são de 75 mcg para os homens e 60 mcg para as mulheres.

Zinco

A queda nos níveis desse mineral prejudica as funções do timo podendo resultar numa diminuição de produção de células T, predispondo o indivíduo a infecções, ou em contra-partida, aumentando a sua produção ocasionando um ataque ao organismo determinando consequentemente estados alérgicos ou doenças auto-imunes.

É possível que a endometriose seja uma doença auto-imune, como o Lupus eritematoso, com o qual está associada em algumas vezes. A inadequação imunológica pode deprimir o estado funcional do eixo hipotálamo-hipófise-gonádico levando com isso a possibilidade de anomalias cromossômicas. No tocante ao genoma, o sistema imune desordenado pode causar danos mutagênicos relacionados às deficiências sub-clínicas de zinco e magnésio. Estudos em animais têm demonstrado a relação da deficiência de zinco com o declínio da fertilidade, aumento de taxas de abortamento e aumento das taxas de malformações congênitas. Os hormônios gonadotróficos necessitam de zinco e piridoxina para serem produzidos em quantidades adequadas. Outra função importante do mineral é a sua participação no metabolismo dos ácidos graxos e a sua conversão para prostaglandinas. A deficiência de zinco pode desviar a sua produção em mulheres endometrióticas causando desequilíbrio entre as séries PGE1 e PGE3 (anti-inflamatórias) e PGE2 (pró-inflamatória). Essa última está associada ao aumento de contratilidade uterina provocando cólicas menstruais. Isso pode estar relacionado ao consumo exagerado de gorduras de origem animal e baixa ingestão de verduras, frutas e peixes. Algumas condições nutricionais interferem com a absorção de zinco:

1. Ingestão exagerada de fibras (ácido fítico)

2. Dieta rica em cálcio

3. Ferroterapia

4. Ingestão de álcool, diuréticos e refrigerantes da categoria “cola”

Por outro lado, alimentação rica em farinha integral e derivados do leite (ricota, iogurte) pode melhorar a absorção de zinco.

A excreção do mineral é extremamente influenciada pelo uso de açúcar refinado (sacarose). A deficiência de zinco tem sido relacionada clinicamente com disfunção menstrual, varizes, irritabilidade, ganho de peso, depressão, falta de apetite, atraso de crescimento, letargia; paladar, olfato e visão anormais; suscetibilidade a infecções, disfunção das glândulas sexuais, demora na cicatrização.

O zinco ajuda a inibir a resposta inflamatória; em concentrações fisiológicas pode inibir 40% da liberação de histamina e leucotriene dos basófilos e mastócitos, previne a cegueira associada ao envelhecimento, aumenta a potência sexual e libido masculina, previne e trata a infertilidade, previne a queda de cabelo, trata acne e outros problemas de pele.

Doses diárias de zinco como complemento podem variar entre 15 e 30 mcg.

Ácidos Graxos Essencias (EPO)

Tem se tornado evidente que o EPO pode exercer efeito anti-inflamatório geral, provavelmente devido a sua habilidade em aumentar a síntese de PGE1, e consequentemente, corrigir a relação entre as PGE1 e PGE2. A dose usual é de 3 cápsulas de 500 mg, duas vezes ao dia, após as refeições. Existem evidências de que a endometriose pode causar dor e infertilidade devido a produção de prostaglandinas inflamatórias ou leucotrienos e pela ativação de macrófagos peritoneais que imobilizam os espermatozóides.

Os ácidos graxos polinsaturados (EPA e DHA) presentes em óleo de peixe podem inibir crescimento de implantes endometriais. O omega 3 encontrado em óleo de peixe de águas frias tem se revelado inibidor do metabolismo do ácido aracdônico, precursor de PGE2 causadoras de inflamação. A dose recomendada é de 6 cápsulas de 500 mg/dia.

DLFenilalanina (DLPA)

O mecanismo de ação da DLPA envolve a inibição de enzimas que normalmente inativam as endorfinas, os anestésicos naturais do organismo. Estas enzimas incluem carboxipeptidase A e a encefalinase. Quando a inibição destas enzimas degradantes é alcançada, as endorfinas podem produzir alívio da dor por um período mais prolongado.

A dose recomendada é de 2 comprimidos de 375 mg de DLPA, 3 vezes por dia, antes da refeição. Em alguns casos é necessário iniciar com 1 comprimido, 2 vezes ao dia, aumentando a dose progressivamente. Uma vez conseguida a dose correta, o alívio dos sintomas deve ocorrer em poucos dias. A ação do DLPA pode ser prolongado e seus efeitos podem persistir por 2 ou 3 semanas após o término do tratamento. Cuidado: pessoas com fenilcetonúria ou gestantes não devem usar DLPA.

Sistema Endócrino

As frutas cítricas possuem bioflavonóides , as quais imitam o estrogênio e podem causar crescimento endometrial se consumido em excesso. Os inseticidas também apresentam atividade estrogênica; portanto frutas e vegetais devem ser lavados antes do consumo. Alimentos carregados de gordura ou colesterol são os grandes responsáveis pelo ganho de peso e pesquisadores descobriram que estas gorduras traiçoeiras têm a habilidade de converter androstenediona em estrona estimulando a sua produção.

O fígado necessita de vit.B1, B2, B3, B5 e B6, colina e inositol para criar as enzimas necessárias. O estresse rapidamente deprime as vitaminas do complexo B do organismo, assim como o consumo de álcool, açúcar, pão branco e cafeína. Esta última também aumenta os níveis de algumas prostaglandinas.

Os vegetais contribuem com o aporte de complexo B. São também as maiores fontes de magnésio. O eixo hipotálamo-hipofisário-gonadal é altamente sensível ao aporte de complexo B. A baixa ingestão deprime a secreção de gonadotrofinas e, consequentemente o desenvolvimento folicular antes de um efeito direto na célula germinativa. Baixa ingestão de complexo B também pode diminuir a maturação oocitária e afetar a fertilidade de pacientes com endometriose.

Má absorção pode ser um outro fator devido a destruição da flora intestinal por uso de antibióticos ou esteróides. O tratamento prolongado das mulheres com endometriose pode incapacitar a produção de complexo B pelas bactérias pró-bióticas no intestino, prejudicando os níveis naturais de complexo B (B1, B2, B6) e a absorção pelo trato digestivo.

Foi feito um estudo que sugere que o complemento nutricional e/ou a re-educação alimentar podem aliviar significativamente os sintomas associados com a endometriose.

Ácido Fólico

É uma vitamina da família do complexo B e, portanto, é muito indicada para fraqueza, letargia, fadiga extrema, falta de sono, previne malformações congênitas, além de útil no tratamento de doenças cardíacas. Se tomado desde antes da concepção e em especial no primeiro trimestre da gravidez, o ácido fólico pode prevenir a espinha bífida. É também indicado como analgésico natural, dá resistência à infecção em crianças e é essencial à transmissão do código genético.

É recomendado uma complementação de 400 – 800 mcg ao dia. Entre as fontes naturais destacam-se vegetais de folha verde-escuras, cenoura, fermento, fígado, cereais, abacate, gema, melão e damasco. A deficiência de ácido fólico, geralmente é conseqüência de má alimentação.

Conclusão

A bioquímica celular é dependente do estado nutricional e este aspecto tem sido negligenciado em relação à endometriose. A nutrição saudável é um passo positivo que cada indivíduo realiza no sentido de manter sua saúde. Uma das maiores reclamações das mulheres com endometriose é sobre a sensação de perda de controle sobre seu corpo e sua vida o que leva a raiva e frustração, desespero e desmotivação.

A nutrição desempenha um papel importante no tratamento. A maioria dos profissionais médicos que trabalham com mulheres que apresentam endometriose não sabem avaliar o grau de nutrição de uma paciente, nem avaliar se existe uma reabsorção de nutrientes ou depleção enzimática. A nutrição também desempenha um papel vital no desenvolvimento de certas doenças, como câncer de mama, doenças cardio-vasculares, artrite, etc. Talvez a endometriose tenha relação com alterações metabólicas, ou falência enzimática ou hormonal devido a má nutrição ou defeito genético. No organismo o fígado é o órgão responsável pela degradação dos estrogênios convertendo-os em estriol.

Existe um mecanismo endócrino pelo qual as fêmeas de todas as espécies de mamíferos tornam-se inférteis se a reposição de alimentos for inadequada.

A adequação nutricional é, provavelmente, um pré requisito para a fertilidade e como, na média, a dieta das mulheres é rica em açúcar, gorduras e amido os quais não oferecem suficiente quantidade de vitaminas e minerais (presentes em frutas, vegetais, castanhas, grãos e cereais), não se condiciona um efeito desejável no sistema endócrino para preparar o sistema reprodutivo para a gravidez. A correção de deficiências sub-clínicas de certos nutrientes, pode representar uma ajuda para a recuperação da fertilidade, da dor e da inflamação, por meios naturais. Uma nutrição balanceada também ajuda a estabilizar a função do sistema imune, o qual é, possivelmente, de vital importância para mulheres com endometriose. Certas vitaminas possuem propriedades analgésicas e anti-inflamatórias correspondentes àquelas apresentadas por drogas usadas em tratamentos convencionais, porém, sem evidenciar efeitos indesejáveis. Se o paciente tomar doses adequadas de vitaminas, minerais e ácidos graxos essenciais, é possível melhorar significativamente a resistência à dor. Muitas pesquisas ainda necessitam ser realizadas para que possamos comprovar a real eficiência desses nutrientes e assim reduzir o sofrimento dos indivíduos que desenvolvem dor crônica tornando-os debilitados e limitados em relação ao seu estilo de vida.


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Re: Endometriose e Nutrição

Mensagem por SusanaFonseca em Qua Abr 06, 2011 7:56 pm

Obrigada Ac! Hoje não consigo ler tudo mas depois hei-de ler:) bjos

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Re: Endometriose e Nutrição

Mensagem por lua_cheia em Ter Out 18, 2011 9:01 pm

Meninas,
De uma forma geral deveriamos evitar: as carnes vermelhas, cafeína, refrigerantes, açúcar e farinha refinadas.
Para quem estiver mais interessado sobre a importância dos alimentos para controlo da endometriose deixo aqui um link:

http://campistabya.spaceblog.com.br/164689/Alimentacao-e-Endometriose/

Gostava de ler um livro sobre este assunto, se alguem encontrar, avisem!
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Re: Endometriose e Nutrição

Mensagem por Tânia Santos em Ter Out 18, 2011 9:11 pm

Olá obrigada pela partilha, há um livro que é o Anti-Cancro e é muito muito interessante pois ensina como viver uma vida mais saudável mesmo tendo uma doença e através da adopção desse sistema mais saudavel conseguir melhorar o problema de saude...
beijos

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A vida só pode ser compreendida olhando-se para trás, mas só pode ser vivida olhando-se para a frente!!!

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Re: Endometriose e Nutrição

Mensagem por SusanaFonseca em Ter Out 18, 2011 9:59 pm

Obrigada Lua Smile beijinhos

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Re: Endometriose e Nutrição

Mensagem por Mariano em Ter Out 25, 2011 2:01 pm

Eu mudei radicalmente a minha alimentação e acreditem que na endo não sei se ajudou(não se vê evidentemente) mas o meu acne adulto na face desapareceu por completo. E esta eh!!
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Re: Endometriose e Nutrição

Mensagem por Tânia Santos em Ter Out 25, 2011 2:52 pm

Mariano escreveu:Eu mudei radicalmente a minha alimentação e acreditem que na endo não sei se ajudou(não se vê evidentemente) mas o meu acne adulto na face desapareceu por completo. E esta eh!!

Olha que ver-nos livres do acne deve ser maravilhoso... Smile
beijos

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Re: Endometriose e Nutrição

Mensagem por susana em Ter Out 25, 2011 3:16 pm

Tânia Santos escreveu:
Mariano escreveu:Eu mudei radicalmente a minha alimentação e acreditem que na endo não sei se ajudou(não se vê evidentemente) mas o meu acne adulto na face desapareceu por completo. E esta eh!!

Olha que ver-nos livres do acne deve ser maravilhoso... Smile
beijos
È verdade bem precisava de me ver livre deste maldito acne.
Bjs

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Re: Endometriose e Nutrição

Mensagem por lua_cheia em Ter Out 25, 2011 4:49 pm

Mariano escreveu:Eu mudei radicalmente a minha alimentação e acreditem que na endo não sei se ajudou(não se vê evidentemente) mas o meu acne adulto na face desapareceu por completo. E esta eh!!

Mariano,
Podes dar umas dicas ao pessoal do que alteraste na tua alimentaçao?
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Re: Endometriose e Nutrição

Mensagem por ac78 em Ter Out 25, 2011 8:51 pm

Sim tb estou curiosa...

bjs

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Re: Endometriose e Nutrição

Mensagem por ac78 em Dom Jan 08, 2012 8:33 pm


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Re: Endometriose e Nutrição

Mensagem por Mariano em Seg Jan 09, 2012 2:57 pm

Em relação à minha alimentação:
1- Só tomo café 1 vez por dia, normalmente ao P.Almoço. Muitas vezes faço na cafeiteira e uso embalagens 50%café.
2- Evito ao máximo carnes vermelhas, carne de porco. Como na maioria das vezes peixe.
3- Passei a comer quase que exclusivamente grelhados.
4- Passei a comer queijo de cabra e ovelha. Eliminei quase por completo o leite vaca. Só uso o leite magro para fazer os iogurtes.
5- Como esparguete, massas e arroz integrais.
6- Como pão de farinha integral, que faço em casa.(reduzo assim os conservantes). Reparem que o pão vendido nos supermercados e hipers têm muitos "E", que são os conservantes.
7- Passei a usar acuçar amarelo e sal marinho (que tem uma serie de nutrientes que falta no outro sal).
8- Cozinho os legumes a vapor.
9- Não bebo refrigerantes.

Atenção k as coisas k n como em casa posso comer em casa de amigos ou vez por outra quando como fora de casa.

Estas foram algumas mudanças.

Bj
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Re: Endometriose e Nutrição

Mensagem por ac78 em Ter Jan 10, 2012 9:29 pm

Obrigada Mariano pela partilha...

Ando a pesquisar e a ler umas coisas, em suma vai muito de encontro ao que referes.

BJs

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Re: Endometriose e Nutrição

Mensagem por ac78 em Dom Jan 15, 2012 7:47 pm

Olá meninas

Nesta minha "pesquisa" destaco alimentos que ajudam a não desenvolver endo, partilho convosco pois por vezes poderão ser algumas mudanças que poderão melhorar a nossa qaulidade de vida, sem que custe assim tanto.

1) Evitar carnes vermelhas
2) Evitar fritos
3) Evitar acúcar, bolos, doces
4) Evitar café
5) Dieta rica em peixe e carnes brancas
6) Tudo que seja rico em Omega 3, é muito bom para a nossa doença - salmão, sardinha, pescada, dourada, trura, bacalhau, atum, legumes de folha verde, citrinos, maçã, kiwis, nozes e amendoim
7) Fruta e legumes
Cool Evitar produtos industrializados/ muito trabalhados - molhos, fast food, bolos de pacote, bolachas, refrigerantes...
9) Privilegiar arroz integral e massa integral
10) Ovos

Isto resulta um pouco do que fui lendo a nivel da net. Algumas pessoas mudaram o seu estilo de vida alimentação, exercicio fisico, stress e tiveram bons resultados. Em suma tentar que seja uma alimentação natural, voltar a uns anos atrás, décadas atrás em que não teriamos esta oferta de produtos que nos faciltam a vida mas que na realidade nos prejudicam a saude.

Houve alguns produtos que fiquei na dúvida se seriam bons ou maus pois o que li não fiquei totalemente esclarecida: leite e derivados e soja.

Com certeza que uma mudança custa... mas podemos fazê-la sem que seja tão custosa, por natureza as mulheres são inventoras na cozinha, porque não comer um prato tão delicioso como uma bolonhesa fazendo uns pequenos ajustes: usar frango ou peru em lugar da carne de vaca ou porco, fazer um refogado menos frito, em vez da polpa de tomate de pacote ou carrafa usarmos tomates frescos... Ou por exemplo num prato como atum com legumes em vez da maionese de supermercado, fazermos a nossa própria maionese...

Bem... ficam algumas dicas... assim que me lembrar de mais acrescento. Partilhem as vossas se as tiverem.

Já agora deixo ficar este site, é em inglês mas parece-me ser bastante interessante
http://www.cureendometriosis.com

Bjocas

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Re: Endometriose e Nutrição

Mensagem por SusanaFonseca em Seg Jan 16, 2012 8:48 am

Obrigada Ac. pela partilha! Vale sempre a pena ler estas coisas e tentar adaptar a nós e a nosso estilo de vida. bjo

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Re: Endometriose e Nutrição

Mensagem por Tânia Santos em Seg Jan 16, 2012 7:25 pm

Obrigada Ac78, vale sempre a pena mudar para melhor, se temos que nos adaptar a tanta coisa na vida que ás vezes não nos agrada, porque não fazer um esforço e mudar para algo que vai ser benéfico a longo prazo???!!!
beijinhos e mais uma vez obrigada pela partilha

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Re: Endometriose e Nutrição

Mensagem por Mariano em Seg Jan 16, 2012 10:49 pm

Eu sou prova de que as mudanças são possiveis.
À semelhança do que disse a Ac78 eu também mudei da polpa para o tomate fresco. Compro dos mais maduros, muitas vezes mais baratos e congelo.
Com as mudanças no regime nunca mais me senti inchada, empaturrada ou com azia. Não sei se a nivel da endo está a resultar, porque não é visivel, mas que me sinto melhor, sinto.
Outro resultado que senti foi nos intestinos. passam-se semanas que não tomo os comprimidos naturais.

Mas também é verdade que assim que como fora deste regime (em casa de amigos) eu sinto logo a nivel de estomago mais cheio e gases.
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Re: Endometriose e Nutrição

Mensagem por ac78 em Dom Jan 22, 2012 1:36 pm

Mais uma dica li num blog que algo muito bom é tomar uma colher por dia de óleo de linhaça, ainda não vi no supermercado mas comprei as sementes de linhaça amarela, rico em ómega 3 e faz muito bem aos intestinos, são tipo as sementes de sésamo.

Bjs

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Re: Endometriose e Nutrição

Mensagem por SusanaFonseca em Dom Jan 22, 2012 7:45 pm

ac78 escreveu:Mais uma dica li num blog que algo muito bom é tomar uma colher por dia de óleo de linhaça, ainda não vi no supermercado mas comprei as sementes de linhaça amarela, rico em ómega 3 e faz muito bem aos intestinos, são tipo as sementes de sésamo.

Bjs

Também já comprei Smile Ainda não usei mas há quem ponha até na sopa:)

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Re: Endometriose e Nutrição

Mensagem por carlavc em Dom Jan 22, 2012 8:18 pm

Eu também tenho por cá sementes de linhaça e volta e meia uso e até gosto do efeito.
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Re: Endometriose e Nutrição

Mensagem por MIKAS em Dom Jan 22, 2012 10:21 pm

Já usei sementes de linhaça deixava uma colher de molho uma noite num copo de agua, demanhã em jejum bebia aquilo coado era horrivel o sabor,mas nao fazia nem bem nem mal
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Re: Endometriose e Nutrição

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